quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cepticismo

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - INTRODUÇÃO, item XVII

O cepticismo, no tocante à Doutrina Espírita, quando não resulta de uma oposição sistemática por interesse, origina-se quase sempre do conhecimento incompleto dos fatos, o que não obsta a que alguns cortem a questão como se conhecessem a fundo. Pode-se ter muito atilamento, muita instrução mesmo, e carecer-se de bom senso.
Ora, o primeiro indício da falta de bom senso está em crer alguém infalível o seu juízo. Muita gente também há para quem as manifestações espíritas nada mais são do que objeto de curiosidade. Confiamos em que, lendo este livro, encontrarão nesses extraordinários fenômenos alguma coisa mais do que simples
passatempo...

Uberaba (MG), 10/04/2010.

Prezado Redator-chefe da Revista Superinteressante,

Sou assinante da Revista Superinteressante há muitos anos, possuo todos os exemplares (em papel), desde o primeiro, na década de 80, e gosto muito do trabalho dessa revista.

Todavia, como sói acontecer com qualquer profissional ou empresa, em que há dia ruim, essa publicação cometeu gravo e triste lapso.

Recebi o meu exemplar de abril, e com muita tristeza li a reportagem sobre um bom homem, que serviu de exemplo para a sociedade, sendo achincalhado por uma matéria mal-escrita, tendenciosa, desrespeitosa e com excessivo cunho pessoal.

Moro em Uberaba, e sei que há excessos de idolatria por parte de muitas pessoas que acabam por venerar pessoas que deixaram sua marca pessoal. Contudo, a melhor maneira de um trabalho jornalístico deixar seus registros para a história, já que de futuro as matérias grafadas serão utilizadas para compor o acervo histórico de uma sociedade, é a realização de reportagens idôneas e bem fundamentadas, sem se exceder em opiniões pessoais, não se tornando mais uma edição de revistas de fofocas ou de revistas para adolescentes, cheias de chavões e linguagem forçada.

Obviamente que sabemos que o(a) repórter é um ser humano, e com certeza não há possibilidade de escrever seu texto se anulando completamente, não deixando transparecer nem o mínimo de suas opiniões pessoais.

Mas o excesso é imperdoável e lamentável, pois pode comprometer a confiança dos leitores no trabalho de alguém. Não digo totalmente imperdoável, mas que pode gastar imenso tempo para recompor o nome do profissional e a confiança das pessoas.

Infelizmente, a repórter Gisela Blanco esteve, com certeza, em seu pior dia como profissional do jornalismo.

Uma matéria em que demonstrou ter ódio pessoal contra a figura de Francisco Cândido Xavier, ódio contra o Espiritismo, ódio contra uma filosofia que somente tem feito bem a milhões de pessoas.

Concordar com tudo o que disse Chico Xavier? Concordar com o que diz o Espiritismo?

Obviamente que ninguém é obrigado a tal, sendo totalmente normal que alguém discorde veementemente contra as idéias que a filosofia espírita propague. Uma sociedade justa congrega pessoas com ideologias diversas, pensamentos diferentes, pontos de vista até discordantes entre si..

O que não pode ser feito é extravasar posições pessoais utilizando-se de um meio de comunicação respeitado e que possui milhares de leitores, que confiam na publicação, confiando numa isenção.

Eu não sou leitor de Superinteressante para receber propaganda pessoal da referida jornalista em relação às suas idéias pessoais. Se ela quer criar uma cruzada pessoal contra a Doutrina Espírita, funde um jornal com tal ideologia, e sem enganar ninguém, deixe claro sua ideologia, e os que se afinizarem com ela comprarão ou assinarão sua publicação. Sempre dentro de um clima de respeito e honestidade...

Todas as objurgatórias contra o Espiritismo, ao longo dos anos, foram derrubadas, porque é uma doutrina sincera, voltada ao ser humano.

O mesmo em relação a Chico Xavier. Uma pessoa simples, que nunca teve a pretensão de ser expoente ou líder. Deixou um maravilhoso exemplo de vida, com atos de amor, humildade e fraternidade tão profundos, que muitos ainda não entendem, como, obviamente, aconteceu com a jornalista que assinou a matéria.

Não vou me alongar em citar fatos acerca de Chico Xavier e o Espiritismo, porque sei muitas missivas estão sendo dirigidas à Revista, já os citando em borbotões. Me preocupa mais o perigoso precedente de usar a Revista Superinteressante para exprimir vontades pessoais de atacar algum pensamento ou filosofia, seja ela qual for. ISSO, SIM, É MUITÍSSIMO PERIGOSO. E vai contra uma tradição histórica da imprensa brasileira de lutar pelo direito de todos, e
não só de uma maioria ou dos poderosos.

O problema maior não é discordar de uma figura como Chico Xavier, já que todos têm o direito de pensar diferente. O problema maior é a manipulação das palavras, para, deliberadamente, atacar alguém. Faça, então, a repórter, a matéria do modo correto, ouvindo as pessoas certas, colhendo as informações nas fontes confiáveis, e então escreva de modo isento, nem concordando nem discordando do objeto da matéria.

Mas não cometa o absurdo, em matéria de jornalismo, de escrever algo sem embasamento, sem apuro, sem averiguações e sem ética, pois fatalmente estará cometendo grave lapso.

Continuo gostando dessa revista, até porque sempre manteve a qualidade e possui inúmeros profissionais. Até mesmo a jornalista Gisela Blanco é uma profissional que, com certeza, refletirá acerca de seu grave equívoco, e amadurecerá para ser uma grande jornalista, no futuro.

Espero apenas que haja um pedido de desculpas por parte dessa revista, e que alguma matéria futura, aí sim bem escrita, não adule Chico ou o Espiritismo; apenas seja o olhar histórico, narrando os fatos, e deixando as opiniões pessoais de quem não gosta do Espiritismo para dentro do íntimo do profissional.

Os leitores sérios e sinceros não assinam uma revista do jaez de Superinteressante para ler matéria de algum folhetim de banca preocupado em difamar uma pessoa nobre e dedicada como Chico Xavier e o Espiritismo. Os leitores sérios e sinceros de Superinteressante a assinam por confiarem que matérias como a veiculada na última edição, desrespeitando Chico Xavier, sejam raríssimas exceções na trajetória de tão boa revista.

Atenciosamente, 

Joamar Zanolini Nazareth
OAB/MG 88.550 
Advogado, Professor Universitário, Radialista, Jornalista Espírita e Escritor
jonazareth(arroba)mednet.com.br

Colaboração: Braz José Marques
 

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