domingo, 29 de agosto de 2010

Alma e Vida

By Andréa Matos on Flickr!
Era uma laranjeira de alto porte,
Muito perto da fonte que a nutria,
No recanto obscuro de um pomar...
Aves faziam dela um reino de alegria
Sobre o apoio do tronco largo e forte.

Quadro de paz e amor da Natureza:
A árvore a farfalhar, entre as frondes felizes,
Os melros, os sabiás e os gaturamos
Tecendo ninhos nos seus ramos,
Uma fonte, alentando-lhe as raízes
E o céu azul ao sol, cobrindo-lhe a beleza!...

Vegetal esquecido pelo dono,
Não se queixava de abandono,
Muito contrariamente, ao invés disso,
Era um palácio verde em constante serviço...
Abelhas tinham nele um refúgio e um tesouro,
A sorverem-lhe o mel dos frutos que lembravam
Pomos vestidos de ouro...

Mas, um dia, surgiu extenso bando
De homens sedentos e famintos
Que deram pasto franco aos seus próprios instintos;
Depois de enlamear a fonte de águas claras
Agrediram a nobre laranjeira,
Manobrando facões, pedras e varas
E, em estreitos minutos,
Despojaram-na, inteira,
De todos os seus frutos.

A fonte sempre calma
Guardou manchas e mágoas,
Lavando sobre a areia as suas próprias águas...

A árvore fez silêncio.
Maltratada e ferida
Deitava a seiva em pingos qual se fossem
Densas gotas de pranto...

Os pássaros, no entanto,
Não choravam somente os estragos nos ninhos;
Entre arbustos vizinhos,
Lastimavam as duas benfeitoras:
A fonte que os mantinha em constante alegria
E a árvore de bênçãos protetoras
Que lhes doava o pão de cada dia...
E pipilavam com tamanha dor
Que pareciam todos juntos
Numa prece de amor,
Rogando a Deus, em voz enternecida,
Que as protegesse
E as refizesse para a luz da vida.
E Deus lhes atendeu aos rogos de ternura
Dentro de tempo breve, em verdes resplendores,
O tronco era, de novo, um palácio de flores
E a fonte era mais pura.

Nesse quadro do campo, alma querida,
Vejo-te a vida, — o tronco, — e a fé que sintetiza
A fonte linda do teu belo ideal,
Entre os pobres irmãos adversários
Da crença que nos guarda e nos eleva,
Sem saber que se fazem
Intérpretes da treva
E empreiteiros do mal...
Tristes amigos irritados!...
Sei que te ferem, alma boa,
Entretanto, trabalha, ama e perdoa;
No tempo que se altera sobre o tempo,
Surgirão transformados!...
Os descrentes e os maus, na condição de ateus
São sempre corações desesperados
Com saudades de Deus.

Maria Dolores - psicografado por Francisco Cândido Xavier



Fonte: A Bíblia do Caminho

domingo, 22 de agosto de 2010

Dica de Filme: Sempre ao seu lado

MUCHO GUSTO AMIGOS....( Explore)
MUCHO GUSTO AMIGOS....( Explore),
upload feito originalmente por su-sa-ni-ta.
Hoje depois de muitos dias sem escrever, resolvi publicar sobre esse filme. Baseado numa história real, fala de amizade, lealdade, e tudo mais que um companheiro canino pode ser para nós.

Nada haver com o "Marley e Eu", pois neste último o caráter cômico prevalece, no filme "Sempre ao seu lado" tem uma trilha sonora envolvente, fotografia boa, que os amantes dos companheiros fiéis vão gostar muito.

Aproveitando o assunto, resolvi escrever sobre a falsa impressão que temos de que "eles" só faltam falar.

Do capítulo "Dos três reinos" do Livro dos espíritos, retiramos alguns questionamentos bastante elucidativos quanto a natureza inteligente dos animais:

592. Se, pelo que toca à inteligência, comparamos o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens. Pode essa linha de demarcação ser estabelecida de modo preciso?

“A este respeito é completo o desacordo entre os vossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem-dotado do que muitos destes. A Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação. Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus.”

593. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto?
“Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.”
Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.

596. Donde procede a aptidão que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem e por que essa aptidão se revela mais nas aves do que no macaco, por exemplo, cuja conformação apresenta mais analogia com a humana?
“Origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz.”

606. Donde tiram os animais o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados?
“Do elemento inteligente universal.”

612. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem?
“Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.” (118)

118. Podem os Espíritos degenerar?
“Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”

Abraço a todos e boa semana.



Fonte: Livro dos Espíritos (Allan Kardec - FEB)

Tirinhas da Mariana

Tirinhas do Cabeça Oca