quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Em oração


Entardecer na campanha
Originally uploaded by Eduardo Amorim.
Na véspera da partida do Senhor, no rumo de Sídon, o culto do Evangelho, na residência de Pedro, revestiu-se de justificável melancolia. As atividades do estudo edificante prosseguiriam, mas o trabalho da revelação, de algum modo, experimentaria interrupção natural.
A leitura de comoventes páginas de Isaías foi levada a efeito por Mateus, com visível emotividade; entretanto, nessa noite de despedi­das, ninguém formulou qualquer indagação.
Intraduzível expectativa pairava no semblan­te de todos.
O Mestre, por si, absteve-se de qualquer co­mentário, mas, ao término da reunião, levantou os olhos lúcidos para o Céu e Suplicou fervoro­samente:
— Pai, acende a Tua Divina Luz em torno de todos aqueles que Te olvidaram a bênção, nas sombras da caminhada terrestre.
Ampara os que se esqueceram de repartir o pão que lhes sobra na mesa farta.
Ajuda aos que não se envergonham de os­tentar felicidade, ao lado da miséria e do infor­túnio.
Socorre os que se não lembram de agradecer aos benfeitores
Compadece-te daqueles que dormiram nos pesadelos do vício, transmitindo herança dolo­rosa aos que iniciam a jornada humana.
Levanta os que olvidaram a obrigação de serviço ao próximo.
Apieda-te do sábio que ocultou a inteligência entre as quatro paredes do paraíso doméstico.
Desperta os que sonham com o domínio do mundo, desconhecendo que a existência na carne é simples minuto entre o berço e o túmulo, àfrente da Eternidade.
Ergue os que caíram vencidos pelo excesso de conforto material.
Corrige os que espalham a tristeza e o pes­simismo entre os semelhantes.
Perdoa aos que recusaram a oportunidade de pacificação e marcham disseminando a revolta e a indisciplina.
Intervém a favor de todos os que se acre­ditam detentores de fantasioso poder e supõem loucamente absorver-te o juízo, condenando os próprios irmãos.
Acorda as almas distraídas que envenenam o caminho dos outros com a agressão espiritual dos gestos intempestivos.
Estende paternas mãos a todos os que olvi­daram a sentença de morte renovadora da vida que a tua lei lhes gravou no corpo precário.
Esclarece os que se perderam nas trevas do ódio e da vingança, da ambição transviada e da impiedade fria, que se acreditam poderosos e livres, quando não passam de escravos, dignos de compaixão, diante de teus sublimes desígnios.
Eles todos, Pai, são delinqüentes que esca­pam aos tribunais da Terra, mas estão assinala­dos por Tua Justiça Soberana e Perfeita, por deli­tos de esquecimento, perante o Infinito Bem...
A essa altura, interrompeu-se a rogativa sin­gular.
Quase todos os presentes, inclusive o pró­prio Mestre, mostravam lágrimas nos olhos e, no alto, a Lua radiosa, em plenilúnio divino, fazendo incidir seus raios sobre a modesta vivenda de Simão, parecia clamar sem palavras que muitos homens poderiam viver esquecidos do Supremo Senhor; entretanto, o Pai de Infinita Bondade e de Perfeita Justiça, amoroso e reto, continuaria velando...


Trecho retirado do livro Jesus no lar (Neio Lucio - psicografia Chico Xavier) pag. 212/213 Ed. FEB

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