sexta-feira, 1 de junho de 2007

A Ética e A Moral dos Robôs


Danger, Will Robinson!
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Por Frederick Montero

A história do século XX representa uma virada de perspectiva moral na evolução do pensamento humano. Durante os últimos milênios, o ideal grego do legítimo representante político, isto é, quem de fato tinha o direito de voz perante a sociedade, era ditado pela tríade homem, branco e adulto. Mas no último século, uma rápida revolução reverteu os pilares até então intocáveis desta moral milenar ao obrigar a sociedade a dar ouvidos aos excluídos da tríade (as mulheres, os jovens e as pessoas de com distintos tons de pele) e também a lhes conceder o direito de representação nas decisões sobre os destinos da humanidade. O ponto de partida desta revolução foi a essencial libertação das mulheres, jovens e não-brancos do estigma aristotélico de meros objetos e da simples redução ao patamar de coisas, para alcançar o verdadeiro status de seres humanos, que os homens brancos adultos gozavam com exclusividade, no ocidente.

Quem se dedicar a pesquisar a história das relações humanas perceberá que, com algumas variações de umas épocas para outras, as mulheres e os não-brancos, em especial os negros, eram considerados apenas como objetos animados, pertencentes ao patrimônio de um cidadão (homem branco adulto) e mais valiosos, mas ainda assim comparáveis, que os objetos inanimados da casa, como cadeiras e mesas, e outros objetos animados que serviam o lar, como cachorros, vacas e porcos. A superação deste fatídico destino deveu-se a uma forte demonstração da autonomia intelectual e criativa dos excluídos contra a soberania dos agraciados pela tríade durante o século XX.

Na década de 1980, um dos principais filmes do período narrava a saga de andróides em busca do seu criador, para reverter a armadilha cibernética que os condenava a uma curta existência de apenas oito anos e depois ao rápido aniquilamento. Blade Runner, assim como nenhum outro filme, tenha representado figurativamente de modo mais poético a nossa eterna busca por Deus, na esperança de evitarmos a inevitável finitude de nossas vidas e memórias. Mas enquanto nós éramos o deus-criador, os andróides eram as criaturas na odisséia para preservar um dos principais aspectos que nos distingue dos animais, os nossos sentimentos e aprendizagens a partir de nossas memórias. Porém a reação dos seres humanos à rebelião dos andróides é aniquilar qualquer característica que os elevem da condição de máquinas a nosso serviço para a de seres iguais à nossa imagem e semelhança.

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